quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Nova espécie de macaco é encontrada em unidade de conservação no Mato Grosso
Um novo horizonte se abriu para os estudos de primatas na Amazônia Meridional. Uma nova espécie de primata foi encontrada na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, no noroeste do Mato Grosso. O espécime, pertencente ao gênero Callicebus, conhecido como zogue-zogue, foi coletado durante a Expedição Guariba-Roosevelt, realizada em dezembro de 2010 pelo WWF-Brasil em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema) e a Mapsmut. Na ocasião, 9 pesquisadores visitaram quatro unidades de conservação do estado do Mato Grosso para colher subsídios para a redação dos planos de manejo dessas áreas protegidas. O trabalho durou vinte dias e terá seu resultado consolidado ainda este ano, com a publicação oficial dos planos de manejo. O primata foi encontrado entre os rios Guariba e Roosevelt, dois dos mais importantes cursos d’água do noroeste mato-grossense. O pesquisador responsável pela descoberta, o biólogo Júlio Dalponte, esclareceu que o pequeno primata apresenta características de coloração diferentes das outras espécies de zogue-zogue conhecidas na região. “Este primata tem detalhes na cauda e na cabeça que não foram vistos até agora em outros zogue-zogues originários desta área”, contou. O animal coletado está sendo submetido a estudos que visam detalhar seu caráter inédito para os mastozólogos e primatólogos do mundo todo. O tombamento foi realizado em maio na coleção científica de mamíferos do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA). Júlio explicou que o registro e depósito (tombamento) do animal significa, na prática, sua incorporação à uma coleção cientifica brasileira, no caso, a do Goeldi. “Este é mais um passo neste trabalho de descobrir e catalogar uma nova espécie. Ainda faremos sua descrição e a publicação de estudos mais detalhados sobre ela, mas não há dúvida de que seja uma nova espécie”, contou. A descrição da espécie, com os estudos sobre suas características físicas e biológicas, deve levar cerca de seis meses para ser concluída. A publicação da descoberta em periódicos especializados pode levar até um ano entre a submissão do trabalho e a aprovação por parte dos comitês editoriais de revistas científicas. Assim que chegou ao Goeldi, o primata foi classificado seguindo normas internacionais de taxonomia. Os dados biométricos do animal como peso, cor do pelo e comprimento de cauda foram registrados, assim como outras informações sobre sua ocorrência e sobre a coleta – como o pesquisador coletor, o habitat e período da coleta. Amostras de pelos e músculos foram retirados para análises moleculares e todas essas informações serão disponibilizadas futuramente em fichas informatizadas, passíveis de ser consultadas por outros pesquisadores. “Ao tombar este animal numa coleção idônea, como é o caso do Museu Goeldi, damos um passo importante no sentido de conhecer a fauna do noroeste do Mato Grosso, que ainda hoje é um enorme quebra-cabeças com várias peças ausentes”, explicou Dalponte. Segundo o coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, a descoberta de uma nova espécie de mamífero coloca em evidência a importância das unidades de conservação para a proteção das espécies da flora e fauna e também para a pesquisa científica. “O Brasil é uma país megadiverso e é fundamental a conservação dos ecossistemas e das espécies. Precisamos conhecer mais essa riqueza e promover o uso sustentável dos recursos naturais”, afirmou Armelin. Lançado em 2010 pela Rede WWF, o relatório Amazônia Viva: uma década de descobertas 1999-2009 mostrou que mais de 1.200 novas espécies de plantas e de animais vertebrados foram descobertas na Amazônia entre 1999 e 2009. Isso significa uma nova espécie a cada três dias. “Ainda há muito o que descobrir”, comentou o engenheiro florestal. “A perda de habitats naturais continua sendo uma grande ameaça para a biodiversidade brasileira. Por isso, é muito importante a criação e implementação de unidades de conservação com a coleta de informações e elaboração dos planos de manejo. A realização da Expedição Científica Guariba-Roosevelt é uma forma de apoiar a secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso a conservar a riqueza natural do estado”, explicou Armelin. A Expedição Guariba-Roosevelt Promovida pelo WWF-Brasil em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Mato Grosso e a empresa Mapsmut, a Expedição Guariba-Roosevelt foi realizada entre os dias 1º e 20 de dezembro de 2010. Seu objetivo foi colher informações e realizar o “diagnóstico ambiental” de quatro unidades de conservação estaduais situadas no Noroeste do Mato Grosso Apesar de criadas durante a década de 90, essas áreas protegidas ainda não foram suficientemente estudadas e não possuem planos de manejo. Os planos de manejo são documentos oficiais que informam o que pode ou não ser feito no interior de unidades de conservação. Historicamente, o noroeste do Mato Grosso vem sendo devastado nas últimas décadas pela ocorrência de garimpo, extração de madeira, pesca predatória e abertura de pastagem – mesmo dentro das áreas protegidas. O analista de conservação do WWF-Brasil, Samuel Tararan, coordenador da expedição, considera que as parcerias entre as instituições envolvidas podem impulsionar o desenvolvimento sustentável na região.
LINK: http://biologias.com/noticias/1041/Nova-especie-de-macaco-e-encontrada-em-unidade-de-conservacao-no-Mato-Grosso
COMENTÁRIO: É muito interessante como até hoje ainda existem muitas coisas que não conhecemos e que são descobertas.
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