quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A falta dos grandes predadores


Agência FAPESP – O acentuado declínio nas populações dos grandes predadores não é apenas uma notícia triste para quem admira animais como leões, tigres, lobos e tubarões. De acordo com estudo publicado na revista Science, a perda de espécies no topo da cadeia alimentar pode representar um dos maiores impactos da ação humana nos ecossistemas terrestres. Segundo James Estes, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade da Califórnia, e colegas, a diminuição é muito maior do que se estimava e afeta muitos outros processos ecológicos em um efeito que os cientistas chamam de cascata trófica, no qual a perda no topo da cadeia alimentar impacta enormemente muitas outras espécies de animais e de plantas. Os autores do estudo afirmam que o resultado desse declínio é tão intenso que tem afetado os mais variados aspectos do ecossistema global, como o clima, a perda de hábitats, poluição, sequestro de carbono, espécies invasoras e até mesmo a propagação de doenças. O estudo aponta que a perda desses grandes animais é a força motriz por trás da sexta extinção em massa na história do planeta. “Temos agora evidências extensivas de que os grandes predadores são altamente importantes na função da natureza, dos oceanos mais profundos às montanhas mais altas, dos trópicos ao Ártico”, disse William Ripple, da Universidade Estadual do Oregon, autor do estudo. “De modo geral, o colapso dos ecossistemas atingiu um ponto em que isso não afeta apenas animais como lobos, o desflorestamento, o solo e a água. Esses predadores, em última análise, protegem os homens. Isso não é apenas algo sobre eles, mas sobre nós”, disse. Entre os dados expostos no artigo está o efeito do declínio de lobos no Parque Nacional Yellowstone, nos Estados Unidos. Quando esses animais foram sendo removidos, a população de alces se alterou imediatamente. Mas também mudou o comportamento desse cervídeo, que passou a se alimentar de plantas em locais em que antes não ia porque podia ser atacado por um lobo. Sem os lobos, pequenas árvores da família Salicaceae e gramíneas passaram a crescer menos, o que resultou na queda de alimentos para os castores, com resultante diminuição na população desses últimos. O resultado foi a cascata trófica. Com a reintrodução de lobos no parque, passou a ocorrer a recuperação do ecossistema, com as plantas voltando a crescer mais, assim como as populações de outros animais. Outro destaque do estudo é a redução na população de grandes felinos no Utah, que levou ao aumento na população de cervídeos, à perda na vegetação, à alteração no fluxo de canais de água e ao declínio da biodiversidade. Por muito tempo os grandes predadores foram vistos no topo da pirâmide trófica e sem terem grande influência nas espécies e na estrutura abaixo. Isso, segundo os autores do estudo, é uma compreensão fundamentalmente equivocada da ecologia. Participaram do estudo pesquisadores de 22 instituições de seis países. O artigo Trophic Downgrading of Planet Earth (doi:10.1126/science.1205106), de James Estes e outros, pode ser lido por assinantes da Science em http://www.sciencemag.org.

LINK:http://biologias.com/noticias/1013/A-falta-dos-grandes-predadores

COMENTÁRIO: É muito triste saber que muitos animais estão sendo extintos pelas ações da raça humana, o que causará muitas consequências no planeta. 

Descoberta proteína que impede calvície e cabelos brancos


Wnt é essencial para o crescimento de fios capilares e produção de pigmentos Um estudo inédito com células estaminais de folículos capilares poderá fazer muito feliz para quem sofre de gerascofobia (medo de envelhecer). A investigação norte-americana permitiu a descoberta de uma proteína responsável pelo crescimento e coloração dos cabelos. Há já décadas que os cientistas sabem que as células dos folículos capilares e dos melanócitos, as células produtoras de pigmento, interagem de forma a produzirem o cabelo colorido. Até agora, no entanto, ninguém sabia exatamente como. No trabalho publicado na «Cell», Mayumi Ito, da Universidade de Nova York, descobriu que uma proteína conhecida como Wnt tem um papel essencial no processo. O estudo feito em ratos mostrou exatamente como os caminhos sinalizadores da proteína Wnt permitem que as células-tronco dos folículos e dos melanócitos trabalhem juntas para gerar o crescimento capilar e produzir pigmentos. A investigação mostrou que a anormalidade ou a ausência de Wnt inibe o surgimento de novos fios e impede a formação de cor. Além de indicar uma possível forma de tratamento para calvície e cabelos grisalhos, o estudo também pode ajudar a combater doenças graves, como o melanoma ou cancro da pele. Existem vários tipos de células-estaminais com potencial de regeneração, mas este método descoberto nos fios de cabelo, podem dar pistas importantes para regenerar órgãos mais complexos. Além disso, ajuda a compreender doenças nas quais os melanócitos estão envolvidos.

LINK: http://biologias.com/noticias/1017/Descoberta-proteina-que-impede-calvicie-e-cabelos-brancos

COMENTÁRIO: Muito interessante já que muitas pessoas se sentem incomodadas ao sofrer de calvície ou ao ter cabelos brancos.

Google street mapeará Amazônia


Em anúncio feito na quarta-feira (17) no blog oficial do Google, o Google Street, serviço do Google que registra imagens das ruas, avenidas do planeta, iniciou o mapeamento de alguns lugares da Amazônia. O Google Street conta com apoio da Fundação Amazonas Sustentável para o realização do trabalho, a equipe utiliza barcos para registros de algumas imagens e bicicletas com o tripé especial acoplado com câmera que registra imagens panorâmicas em 360º. Para os que não podem gastar dinheiro com viagens e hospedagem, é uma oportunidade para conhecer a Amazônia. Blog do Google: http://googleblog.blogspot.com/2011/08/street-view-goes-to-amazon.html

LINK: http://biologias.com/noticias/1029/Google-street-mapeara-Amazonia

COMENTÁRIO: Muito criativo como não só estaram mapeando locais habitados por humanos, mas também florestas.

Nova espécie de macaco é encontrada em unidade de conservação no Mato Grosso


Um novo horizonte se abriu para os estudos de primatas na Amazônia Meridional. Uma nova espécie de primata foi encontrada na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, no noroeste do Mato Grosso. O espécime, pertencente ao gênero Callicebus, conhecido como zogue-zogue, foi coletado durante a Expedição Guariba-Roosevelt, realizada em dezembro de 2010 pelo WWF-Brasil em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema) e a Mapsmut. Na ocasião, 9 pesquisadores visitaram quatro unidades de conservação do estado do Mato Grosso para colher subsídios para a redação dos planos de manejo dessas áreas protegidas. O trabalho durou vinte dias e terá seu resultado consolidado ainda este ano, com a publicação oficial dos planos de manejo. O primata foi encontrado entre os rios Guariba e Roosevelt, dois dos mais importantes cursos d’água do noroeste mato-grossense. O pesquisador responsável pela descoberta, o biólogo Júlio Dalponte, esclareceu que o pequeno primata apresenta características de coloração diferentes das outras espécies de zogue-zogue conhecidas na região. “Este primata tem detalhes na cauda e na cabeça que não foram vistos até agora em outros zogue-zogues originários desta área”, contou. O animal coletado está sendo submetido a estudos que visam detalhar seu caráter inédito para os mastozólogos e primatólogos do mundo todo. O tombamento foi realizado em maio na coleção científica de mamíferos do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA). Júlio explicou que o registro e depósito (tombamento) do animal significa, na prática, sua incorporação à uma coleção cientifica brasileira, no caso, a do Goeldi. “Este é mais um passo neste trabalho de descobrir e catalogar uma nova espécie. Ainda faremos sua descrição e a publicação de estudos mais detalhados sobre ela, mas não há dúvida de que seja uma nova espécie”, contou. A descrição da espécie, com os estudos sobre suas características físicas e biológicas, deve levar cerca de seis meses para ser concluída. A publicação da descoberta em periódicos especializados pode levar até um ano entre a submissão do trabalho e a aprovação por parte dos comitês editoriais de revistas científicas. Assim que chegou ao Goeldi, o primata foi classificado seguindo normas internacionais de taxonomia. Os dados biométricos do animal como peso, cor do pelo e comprimento de cauda foram registrados, assim como outras informações sobre sua ocorrência e sobre a coleta – como o pesquisador coletor, o habitat e período da coleta. Amostras de pelos e músculos foram retirados para análises moleculares e todas essas informações serão disponibilizadas futuramente em fichas informatizadas, passíveis de ser consultadas por outros pesquisadores. “Ao tombar este animal numa coleção idônea, como é o caso do Museu Goeldi, damos um passo importante no sentido de conhecer a fauna do noroeste do Mato Grosso, que ainda hoje é um enorme quebra-cabeças com várias peças ausentes”, explicou Dalponte. Segundo o coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, a descoberta de uma nova espécie de mamífero coloca em evidência a importância das unidades de conservação para a proteção das espécies da flora e fauna e também para a pesquisa científica. “O Brasil é uma país megadiverso e é fundamental a conservação dos ecossistemas e das espécies. Precisamos conhecer mais essa riqueza e promover o uso sustentável dos recursos naturais”, afirmou Armelin. Lançado em 2010 pela Rede WWF, o relatório Amazônia Viva: uma década de descobertas 1999-2009 mostrou que mais de 1.200 novas espécies de plantas e de animais vertebrados foram descobertas na Amazônia entre 1999 e 2009. Isso significa uma nova espécie a cada três dias. “Ainda há muito o que descobrir”, comentou o engenheiro florestal. “A perda de habitats naturais continua sendo uma grande ameaça para a biodiversidade brasileira. Por isso, é muito importante a criação e implementação de unidades de conservação com a coleta de informações e elaboração dos planos de manejo. A realização da Expedição Científica Guariba-Roosevelt é uma forma de apoiar a secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso a conservar a riqueza natural do estado”, explicou Armelin. A Expedição Guariba-Roosevelt Promovida pelo WWF-Brasil em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Mato Grosso e a empresa Mapsmut, a Expedição Guariba-Roosevelt foi realizada entre os dias 1º e 20 de dezembro de 2010. Seu objetivo foi colher informações e realizar o “diagnóstico ambiental” de quatro unidades de conservação estaduais situadas no Noroeste do Mato Grosso Apesar de criadas durante a década de 90, essas áreas protegidas ainda não foram suficientemente estudadas e não possuem planos de manejo. Os planos de manejo são documentos oficiais que informam o que pode ou não ser feito no interior de unidades de conservação. Historicamente, o noroeste do Mato Grosso vem sendo devastado nas últimas décadas pela ocorrência de garimpo, extração de madeira, pesca predatória e abertura de pastagem – mesmo dentro das áreas protegidas. O analista de conservação do WWF-Brasil, Samuel Tararan, coordenador da expedição, considera que as parcerias entre as instituições envolvidas podem impulsionar o desenvolvimento sustentável na região.

LINK: http://biologias.com/noticias/1041/Nova-especie-de-macaco-e-encontrada-em-unidade-de-conservacao-no-Mato-Grosso


COMENTÁRIO: É muito interessante como até hoje ainda existem muitas coisas que não conhecemos e que são descobertas.

Hibridação com Neandertais melhorou resistência imunológica dos “Homo sapiens”


Estudo sugere que devido a cruzamento o homem moderno ficou apto a sobreviver na Europa Quando saiu de África e rumou até à Europa, o Homo sapiens teve contato com o Homo neanderthalensis. Essa teoria ficou provada quando, há não muito tempo, investigadores do Instituto Max Plank (Alemanha) descobriram que o ser humano moderno europeu e asiático têm entre um e quatro por cento de DNA Neandertal. Um artigo agora publicado na «Science» vem acrescentar que a genética dos Homo sapiens foi melhorada pelo cruzamento. A equipe de investigação identificou vários genes e regiões do DNA que foram ‘cedidos’ pela aquela espécie ao sistema imunitário que o ser humano ainda possui. Dirigido por Peter Parham (Universidade de Stanford), o estudo permitiu conhecer os genomas tanto de Neandertais como de hominídeos de Denisova (espécie recentemente descoberta na gruta de Denisova, Sibéria). Investigações anteriores tinham já sugerido que o cruzamento entre estes três hominídeos que habitavam o planeta há 60 mil anos aconteceu na Eurásia, razão pela qual se identificou 2,5 por cento de DNA Neandertal em todos os humanos não africanos. Também se detectou parte de DNA denisoviano em populações asiáticas, sobretudo na Melanésia, onde a percentagem de DNA ancestral ascende a seis por cento. O que este estudo traz de novo é a importância da hibridação. As atenções dos investigadores centraram-se no sistema sistema antígeno leucocitário humano (HLA), pois este está submetido à pressão das doenças e entra facilmente em mutação. A comparação das sequências genómicas mostrou que vários genes do HLA (como o B*51 e o C*07) eram próprios da evolução dos Neandertais e passaram para as populações de sapiens. O mesmo se passava com uma região chamada HLA classe I. As percentagens da presença entre os europeus era de 50 por cento, nos asiáticos de 80 por cento e nas populações da Papua Nova Guiné até 95 por cento. No entanto, não se encontrava entre a população africana. Foram também encontrados nos asiáticos genes próprios do genoma dos hominídeos de Denisova. Os autores defendem que a mestiçagem com outras espécies melhorou os humanos modernos para os defender de patogénicos presentes na Europa e na Ásia. Trata-se, afirma, de um “exemplo claro de seleção natural”: aqueles que possuíam os genes protetores, ou seja, os híbridos, ficaram mais aptos para sobreviver. Artigo: The Shaping of Modern Human Immune Systems by Multiregional Admixture with Archaic Humans

LINK: http://biologias.com/noticias/1045/Hibridacao-com-Neandertais-melhorou-resistencia-imunologica-dos-Homo-sapiens-

COMENTÁRIO: Muito interessante saber como o homem evoluiu em certos aspectos no passado